Um homem de 30 e poucos anos…

As descobertas, desafios e a forma de lidar com o tempo.

Eu sou uma pessoa muito mais feliz aos 34 do que aos 24. E aos 24 eu era muito mais feliz do que aos 14. “ (Foto: Facebook).

30 de Junho de 2017. Brás, São Paulo.

Preciso estar às 11 da manhã em ponto no apartamento dele. Marcamos uma entrevista curta depois de várias tentativas de encaixar os meus horários com os dele.

Ele abre a porta e me recebe com um sorriso e um abraço. A TV estava ligada e passava uma reprise da novela “Por Amor”. Ele me serve água e eu retiro o meu aparelho de gravação. E, como a maioria dos entrevistados, Matheus fica admirado com o minúsculo MP4 da Philips, um modelo simples dessa tecnologia, considerada ultrapassada, que me serve muito desde 2009. Matheus Faro tem 34 anos e trabalha como produtor e diretor de filmagens de externas para TV. Mas antes ele trabalhou em diversos lugares, como loja de roupas,  foi garçom e fazia pães em uma fábrica durante o tempo em que morou na Austrália. Entretanto, ele sentia falta de algo que lhe estimulasse a criatividade. E acordar às seis da manhã, para fazer pão, não fazia a vida ter sentido para ele.

Matheus é parte das entrevistas que estou realizando para um projeto de livro, nele eu tenho a intenção de falar sobre homens de 30 e poucos anos, relacionar suas vidas: afetiva, sexual e profissional. Tudo em torno de uma das protagonistas da história: São Paulo.

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Decisões ruins

(Foto: reprodução da internet)
São Paulo pode ser acolhedora para alguns e ao mesmo tempo ela pode ser fria e chuvosa para outros. Mas uma coisa é certa, se tornar um cara gay bem-sucedido e dentro de um relacionamento estável simultaneamente, aos 30 anos, em uma cidade como esta, jamais será um acontecimento democrático.

Eu, aos 29 anos, não tenho o emprego que eu gostaria, estou atualmente desempregado, mas fui operador de telemarketing atendendo clientes que viajam para o exterior, eles faziam o que eu gostaria de fazer, isto é: viajar o mundo. Sou formado em jornalismo, falo inglês e espanhol, sou jovem, mas me sinto velho e por vezes não ganho o suficiente para pagar o meu aluguel e comer ao mesmo tempo. Tudo que eu quero é transformar alguma coisa ao meu redor e não simplesmente envelhecer em São Paulo.

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Selva de homens

(Foto: reprodução da internet/BRIAN BIEDUL)
São Paulo pode ser descrita de diversas maneiras. Mas eu prefiro descrevê-la como uma selva de homens. O que a torna um habitat perigoso quando se trata de relacionamentos.

Oq vc busca?

Chuva na Rua Augusta. (Foto: Tudo Sobre Eles).

Essa pergunta sobre o que eu estou buscando, sempre me deixou desconcertado. Porque a resposta dela é, em muitos casos, definitiva a respeito de qualquer possibilidade que eu possa ter com o cara que está sentado à minha frente em algum café em São Paulo ou até mesmo com o cara que está teclando comigo. Essa interrogação é cheia de tensão e não tem nada de tesão. Mesmo que seja difícil responder algo sobre essa pergunta, ela surge assim de repente. Porque as pessoas precisam saber sobre onde elas estão prestes a depositarem o melhor delas ou, em alguns casos, terem certeza se a transa vai valer a pena. Isto é, trata-se de um modo de conhecer as vantagens, desvantagens, as garantias, custos e benefícios de estar ali tomando café com aquele sujeito ou gastando algumas horas no celular em algum aplicativo qualquer.

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Masculino e Feminino

“A gente nunca tá fora do nosso meio social, eu sou mais um jovem confuso, mais um jovem acomodado, ignorante, apático, assim como você.”

Guilherme Terreri ou, quando está trabalhando ele pode ser chamado de Rita Von Hunty  (Foto: Yasmin Sandrini)

Meu entrevistado é uma das drags que participou do programa Academia de Drags (2014), atração inspirada no programa americano RuPaul’s Drag Race (2009). Ele, ao longo dos anos, teve diversas referências, uma delas é a drag ícone cultural, RuPaul. Atualmente, meu convidado vive o novo boom das drags em São Paulo. Não é muito difícil encontrar oficinas sobre esse universo pela cidade, o conteúdo programático inclui ensinar como se maquiar, dançar e selecionar vestuário. São verdadeiras academias que ganharam as páginas dos jornais, a TV e os canais do YouTube.

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No sofá da Biá

“As pessoas iam para ver o show, pela curiosidade de saber o que era e como era um homem vestido de mulher.”

Eduardo Albarella ou simplesmente Miss Biá no palco da boate Nostromondo nos anos 90. (Foto: reprodução da internet).

Ele diz que sempre foi gay desde criança, assume que sempre teve instinto homossexual. Ele confessa que tinha tesão pelo gerente do lugar, achava o sujeito uma graça e investia em tentativas para se aproximar dele. O primeiro rapaz que ele conheceu estava em um cinema do bairro do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Certa vez, em uma de suas idas ao cinema, a luz acabou. Ele permaneceu em sua poltrona, as luzes voltaram a acender, ele olha para trás e percebe um homem que lhe chama à atenção. “Credo, que homem feio!” – Foi seu primeiro pensamento ao olhar para pessoa que estava no mesmo recinto. “Tem coisas que são interessantes, você olhar para trás, numa multidão e a pessoa te chamar à atenção por ser feio.” – ele comenta.

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