Todos Somos Capazes

Numa cidade como São Paulo, muitas coisas acontecem ao mesmo tempo, encontros, despedidas, novas amizades. E LGBT’S com deficiência que se reúnem em um parque para falar de temas importantes como preconceito, discriminação e estado laico.  Claro que resistir ao charme do parque do Ibirapuera é algo impossível de acontecer. Então, nada melhor que combinar militância com comida, amigos e festa.

Foi exatamente isso que aconteceu no último domingo, esses jovens e adultos que antes estavam apenas atrás de computadores tentando encontrar pessoas que entendessem um pouco de sua realidade, agora estavam reunidos mostrando que não é uma calçada esburacada, ou transportes sem acessibilidade e até mesmo a distância que irá impedi-los de mudar a sua própria realidade e consequentemente o mundo ao seu redor.

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Imagem: http://www.gataderodas.com/

Esse foi o primeiro piquenique, mas o mais interessante de tudo isso é imaginar que a partir disso, um longo caminho pode ser construído com uma ação contínua. A história de grandes movimentos revolucionários começou assim, como por exemplo o SOMOS ( Primeiro grupo de militância LGBT na década de 70 em São Paulo) que deu origem a tantos esforços e ações pela causa até os dias atuais.

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A vontade de mudar move e mesmo com a tecnologia, nada substitui o prazer dos encontros em algum lugar dessa cidade que mais parece um planeta imenso, onde tudo está acontecendo ao mesmo tempo.

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E a galera tem grupo no Facebook.

Jesus é puta

“Eu tô cagando. Eu sou puta, eu sou puta. – ele afirma categoricamente e em voz alta. – Eu quero amar quem eu quero, eu quero foder com quem eu quero, eu quero ter uma relação fechada se eu quiser, aberta se eu quiser, eu quero não ter nenhuma relação se eu quiser. Eu não quero ninguém dizendo pra mim o que eu tenho que fazer.”

Estou na Rua Dr. Vieira de Carvalho, no Centro da cidade, República. Eu chego em frente ao local combinado, o café Spazio Gastronomia. Ainda resta meia hora, de acordo com o horário combinado, às 15:00 horas. Decido ligar para avisar que cheguei. Ele atende e pergunta qual é o horário combinado. – o tom de voz dele parece aborrecido com meu chamado. – Eu respondo que apenas liguei para avisar que cheguei ao café e que estou à sua espera. Ele diz que estará no local no horário.

Espero mais um pouco e finalmente, depois de mais 15 minutos ele chega de táxi à porta do café. Nós nos cumprimentamos, ele parece sério demais. Vamos até o balcão, ele pergunta o que quero beber e paga as duas garrafas de água com gás que pedimos, ele pede que a atendente abra e despeje o líquido em um copo com limão.

Já sentados à mesa, eu já me coloco em posição de começar a entrevista. Olhando bem seu rosto, percebo algumas rugas, ele é bastante calvo, praticamente careca, usa óculos com uma armação moderna e tem uma pele bem branca. Em seu pulso um relógio de pulseira verde. Estatura mediana, gordo e com muitos pelos nos braços. A testa dele está suada e ele tenta conter o líquido de forma discreta. É um dia de sol forte e muito calor na cidade.

Vou deixar aqui. – eu digo enquanto aproximo do meu entrevistado o meu gravador.

– Melhor você testar antes, porque pode ter interferência. – ele me alerta para o ventilador barulhento que está ao nosso lado perto do bar

– Não, ele consegue captar mesmo assim. – eu o tranquilizo.

– Ah, ainda bem.

Ele parece me observar com um olhar bastante desconfiado.

"Eu tô cagando para 'Barbie', para 'Urso'." (Foto: Facebook)
“Eu tô cagando para ‘Barbie’, para ‘Urso’.” (Foto: Facebook)

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