Um Brasil doente

A imagem acima está sendo reproduzida nas redes sociais (Foto: reprodução da internet)

A notícia de um homem, intitulado de juiz, chamado Waldemar Cláudio de Carvalho que concedeu uma liminar para autorizar psicólogos (interessados) a oferecerem terapia de “reversão sexual” popularmente dita como “cura gay”, tomou conta do país através das redes sociais e de diversos outros meios de comunicação. Foi o ponto ápice para entender que o Brasil está doente. E essa doença não tem nada a ver com homossexualidade.

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Morre o autor da Bandeira LGBT

(Foto: reprodução da internet)

Gilbert Baker foi um artista e ativista de direitos LGBT, responsável por criar o símbolo que representa  a comunidade, a bandeira do arco-íris “rainbow flag” que surgiu em 1978. Ele morreu enquanto dormia em sua casa em Nova York no último dia 31.

O significado das cores da Bandeira Gay. #tudosobreeles #LGBT

Rosa – Sexualidade

Vermelho – Vida

Laranja – Cicatrização

Amarelo – Luz do sol

Verde – Natureza

Turquesa – Arte

Azul Índigo – Harmonia

Violeta – Espírito humano


A voz da Juventude na Parada LGBT

GT da Juventude (Foto: Adriano Sod)

No último sábado, 11, houve o encontro com os organizadores da 21ª Parada LGBT de São Paulo. Aberto ao público, na sede da União Geral dos Trabalhadores, o debate colocou em pauta a representação de diversas camadas sociais e culturais que devem ganhar destaque durante o evento. A reunião contou com uma sala bem cheia, cafezinho e discussões bem fortes.

Estavam presentes os coletivos das transsexuais, os representantes de grupos de homens gays e bissexuais, o coletivo das mães pela diversidade, movimento das mulheres lésbicas, dentre outros movimentos que tocaram em temas como religião, discriminação dentro e fora da comunidade LGBT, além de discutir como o tema da Parada, neste ano a mensagem é sobre “estado laico”,  será abordado e de que maneira sugerir o debate de forma que não agrida outros grupos, mas ao mesmo tempo revele a intenção de luta por uma sociedade mais igualitária com respeito ao próximo.

O grupo de Jovens, de 18 a 29 anos, esteve no encontro para apresentar propostas que mostrassem as ações que o público jovem se preocupa em repassar para as novas gerações de gays, lésbicas e transsexuais. Uma das ações sugeridas pelo coletivo é a campanha a respeito da contaminação pelo vírus HIV, dados oficiais do Ministério da Saúde apontam que homens gays, entre 15 a 24 anos, representam o extrato mais vulnerável em relação ao crescimento do número de novas infecções pelo vírus através de relação sexual.

Outras pautas sugeridas pelo grupo da juventude são a campanha por representação de deficientes físicos LGBT, transsexuais que precisam lidar com estas questões precocemente dentro da própria casa, além das questões sociais como a visibilidade de gays, lésbicas, bissexuais, dentre outras identidades que moram nas periferias de São Paulo e precisam ter alcance das informações e ações que estão sendo tomadas para com a comunidade.

O coletivo da juventude chamou à atenção dos mais velhos que estão vendo suas discussões com relação a cidadania sendo repassadas e discutidas cada vez mais cedo.

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Símbolo do grupo de representação juvenil na Parada LGBT de São Paulo

 

 

 

O Reverendo

O Reverendo (Foto: Flickr Igrejas da Comunidade Metropolitana).

As pessoas estavam chegando, crianças, mulheres, homens, fossem eles gays, lésbicas ou travestis. Há um clima amistoso. Era como se uma festa fosse começar em poucos instantes. O folheto com a liturgia do domingo, os hinos e o roteiro da missa estava em minhas mãos.

Eu aguardo a chegada do reverendo Cristiano Valério, nós havíamos nos conhecido nesse mesmo local, na minha última visita à sede paulistana das Igrejas da Comunidade Metropolitana, que fica próxima ao largo Santa Cecília no centro da cidade. A minha missão era investigar essa iniciativa e as pessoas que faziam parte dela.

Quando o reverendo chega, nós nos retiramos para uma sala perto do santuário. O religioso está com sua batina e pronto para começar a missa de domingo. Ele é um homem de rosto agradável, possui um ar acolhedor. Há algumas marcas na face dele, como se fossem cicatrizes de um período de acne um tanto agressiva. O sorriso do religioso tem dentes perfilados e brancos.

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Timeline

(Foto: reprodução da internet)

Ele é o garotinho que usa bermuda feita de tricô e sandálias, ele não fala com ninguém, mas sente a falta de amigos. O menino deseja juntar-se com os garotos que brincam de polícia e ladrão, então ele deita no chão e fecha os olhos, mas quando abre não tem mais nenhum garoto por perto. Todas as crianças dizem que tudo dele é de menina, as sandálias, a bermuda de tricô, – horrível – o corte de cabelo, o jeito dele falar, sentar. Isso foi apenas a etapa da creche e do prézinho para aquele garoto em 1994.

O primeiro cara que ele admirou, foi o pedreiro que trabalhou na casa dele. Ele tinha apenas 4 anos, quando se sentava na janela do quarto, para admirar Cláudio, um moreno de olhos claros que construía um muro no quintal do garotinho. O menino se sentia muito bem em ver o pedreiro trabalhando. Naquele momento, ele vivenciava a sexualidade, mesmo sem saber o que significava sexo. Ele achava que só poderia ficar com outro garoto se ele fosse uma menina, por isso, de vez em quando, experimentava as roupas da própria mãe.

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O gay, o judeu e a arca marroquina

“Apesar do respeito dos colegas, havia uma pessoa que parecia o detestar. E segundo o Mário, ele era mesmo um homofóbico. Tratava-se do judeu, presidente da empresa. O tal chefe fazia questão de não estabelecer contado com o seu funcionário homossexual.”

Mário no Café (Foto: Tudo Sobre Eles)

Exatamente no metrô Ana Rosa, este foi o local combinado para sairmos e tomarmos um café. Cheguei faltando apenas cinco minutos para às 17 horas, o horário marcado. Ele já estava lá, me aproximei e o cumprimentei. Meu entrevistado estava com sua bolsa transversal e seu guarda-chuva grande nas mãos.

Mário tem 54 anos, mora no bairro Pari e é administrador de empresas. Nós nos conhecemos no GIV, a ONG que oferece apoio a portadores do hiv, lá ele trabalha como voluntário.

Após, Mário e eu, sairmos do metrô fomos até a Rua Cubatão, na Vila Mariana, pois há ali perto um Fran´s Café que conheço há algum tempo. Já no café, nós nos sentamos e fazemos nossos pedidos. Por alguns minutos, jogamos conversa fora e ele me contou sobre diversas coisas a seu respeito. Fiquei em dúvida sobre o que abordar neste texto, mas dentre os episódios contados, um me chamou à atenção. Continue Lendo “O gay, o judeu e a arca marroquina”