Uma drag com glamour

Kaká Di Polly é uma lenda viva das noites de festa glamorosas na cidade. Uma drag irreverente, de tal maneira, que talvez a noite gay, dos anos 1980, não tivesse as mesmas histórias. São memórias que mesmo depois de tanto tempo ainda valem a pena de serem ouvidas ou lidas, e assim elas mantêm os personagens que aqui existem, nesse planeta chamado São Paulo.

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Kaká Di Polly também inspirou seu visual na drag ícone, Divine.

Nossa entrevista foi em uma noite de sábado, no centro da cidade, foi em um lugar chamado Dick Bar, um nome sugestivo. Na porta, há um rapaz de aparência de vinte e poucos anos, usando apenas uma sunga branca e com um pouco de purpurina pelo corpo, ele era quem acertava a entrada do bar de garotos strippers.

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17 de Maio – Dia Internacional Contra a Homofobia.

A data de 17 de Maio de 1990 foi escolhida como simbólica a respeito do avanço dos direitos LGBTQ. Nesta data a homossexualidade foi descaracterizada como patologia pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
 
Porém, o preconceito e a discriminação para com a comunidade LGBT ainda continua. Muitos morrem no Brasil por crimes de ódio, países africanos ainda consideram um crime a homossexualidade, penalizado com a morte do indivíduo, a Rússia cada vez mais oprime e cria uma ditadura para a comunidade homossexual.
 
Ainda temos um longo caminho, mas nada poderá ser mais forte do que o amor ao próximo, porque a cada dificuldade, mais ganhamos força para um dia alcançarmos uma sociedade mais igualitária.
 
O mais importante no momento é conservar o orgulho e autoestima a respeito de quem somos, humanos iguais a todos!
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Travesti Dandara assassinada a tiros e pauladas no Ceará em 15 de Fevereiro de 2017. O motivo? Apenas ódio. 

Selva de homens

São Paulo pode ser descrita de diversas maneiras. Mas eu prefiro descrevê-la como uma selva de homens. O que a torna um habitat perigoso quando se trata de relacionamentos.
Há algumas espécies bem comuns nesse ambiente de concreto. Assim como os caras que frequentam a sua casa, comem da sua comida, dormem na sua cama durante algumas semanas e depois deixam de responder suas ligações ou mensagens. Justo quando você começa a acreditar que as coisas estão se encaixando apesar das imperfeições. E quando você insiste em marcar um encontro, eles têm sempre um imprevisto para adiar. Da última vez que eu me encontrei com um cara assim, que vou traduzir como “O Pássaro”, eu terminei numa calçada chorando sem entender a razão pela qual alguns caras preferem estragar tudo. Num dia você abre seu coração e oferece a sua amizade e no outro o cara voa para algum lugar bem distante. Definitivamente, essa espécie se sente em perigo diante de qualquer ameaça de afeto.
(Imagem: BRIAN BIEDUL)
(Imagem: BRIAN BIEDUL)

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Oq vc busca?

Essa pergunta sobre o que eu estou buscando, sempre me deixou desconcertado. Porque a resposta dela é, em muitos casos, definitiva a respeito de qualquer possibilidade que eu possa ter com o cara que está sentado à minha frente em algum café em São Paulo ou até mesmo com o cara que está teclando comigo. Essa interrogação é cheia de tensão e não tem nada de tesão. Mesmo que seja difícil responder algo sobre essa pergunta, ela surge assim de repente. Porque as pessoas precisam saber sobre onde elas estão prestes a depositarem o melhor delas ou, em alguns casos, terem certeza se a transa vai valer a pena. Isto é, trata-se de um modo de conhecer as vantagens, desvantagens, as garantias, custos e benefícios de estar ali tomando café com aquele sujeito ou gastando algumas horas no celular em algum aplicativo qualquer.

Em algum café da Augusta. (Foto: Tudo Sobre Eles)
Café na Augusta. (Foto: Tudo Sobre Eles)

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Masculino e Feminino

“A gente nunca tá fora do nosso meio social, eu sou mais um jovem confuso, mais um jovem acomodado, ignorante, apático, assim como você.”

Meu entrevistado é uma das drags que participou do programa Academia de Drags (2014), atração inspirada no programa americano RuPaul’s Drag Race (2009). Ele, ao longo dos anos, teve diversas referências, uma delas é a drag ícone cultural, RuPaul. Atualmente, meu convidado vive o novo boom das drags em São Paulo. Não é muito difícil encontrar oficinas sobre esse universo pela cidade, o conteúdo programático inclui ensinar como se maquiar, dançar e selecionar vestuário. São verdadeiras academias que ganharam as páginas dos jornais, a TV e os canais do YouTube.

“A gente nunca tá fora do nosso meio social, eu sou mais um jovem confuso, mais um jovem acomodado, ignorante, apático, assim como você.” (Foto: Yasmin Sandrini/ Beatriz Zago)
“A gente nunca tá fora do nosso meio social, eu sou mais um jovem confuso, mais um jovem acomodado, ignorante, apático, assim como você.” (Foto: Yasmin Sandrini).

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No sofá da Biá

“As pessoas iam para ver o show, pela curiosidade de saber o que era e como era um homem vestido de mulher.”

Ele diz que sempre foi gay desde criança, assume que sempre teve instinto homossexual. Ele confessa que tinha tesão pelo gerente do lugar, achava o sujeito uma graça e investia em tentativas para se aproximar dele. O primeiro rapaz que ele conheceu estava em um cinema do bairro do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Certa vez, em uma de suas idas ao cinema, a luz acabou. Ele permaneceu em sua poltrona, as luzes voltaram a acender, ele olha para trás e percebe um homem que lhe chama à atenção. “Credo, que homem feio!” – Foi seu primeiro pensamento ao olhar para pessoa que estava no mesmo recinto. “Tem coisas que são interessantes, você olhar para trás, numa multidão e a pessoa te chamar à atenção por ser feio.” – ele comenta.

“Tem coisas que são interessantes, você olhar para trás, numa multidão e a pessoa te chamar à atenção por ser feio.” (Foto: Acacio Brindo/ Eduardo Moraes)
“Tem coisas que são interessantes, você olhar para trás, numa multidão e a pessoa te chamar à atenção por ser feio.” (Foto: Acacio Brindo/ Eduardo Moraes)

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