FELIZ DIA DOS NAMORADOS

Aos 24 anos eu escrevi este texto (12/06/2012) e ainda é tão fiel. Apesar das experiências vividas, há coisas que não mudam. Como em ser honesto comigo mesmo.
// FELIZ DIA DOS NAMORADOS! – Desejo um feliz dia a todos os casais. Eu nunca namorei, mas quando isso acontecer para mim eu espero ainda continuar livre. Acho que isso é importante dentro de uma relação, liberdade para pensar, falar e agir. O relacionamento não pode ser uma dívida, não deve acorrentar alguém. Acho a honestidade outro ingrediente indispensável, sermos honestos com nosso próprio coração.
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O amor exige sacrifícios? Talvez, mas acho que se fizermos somente aquilo em que acreditamos, podemos dar adeus aos sacrifícios. Não tenha medo de ficar sozinho, isso só ajuda a você a se conhecer. O medo da solidão nos faz mergulhar em relações que nem sempre nos faz feliz. Eu ainda prefiro estar sozinho a estar em uma relação que me faz infeliz. Não vou matar meu coração e o meu amor só por um medo bobo da solidão.

Sim, eu assumo …eu quero um namorado, mas também quero amadurecer para viver essa experiência, não quero desafiar o amor, desafiar a alguém me amar ou fazer dessa etapa apenas mais uma etapa comum da vida. E mesmo eu estando dentro de uma relação eu sei que vou olhar para meu passado como algo importante, porque através da jornada de estar solteiro eu pude aprender muitas coisas e hoje eu sou quem eu sou por conta das minhas experiências. Somente quero aceitar o outro e ser aceito por ele.

Minha felicidade está dentro de mim…preciso sempre acreditar nisso. Porque nada é para sempre…e eu preciso estar certo de que se um dia eu ficar sozinho, eu vou ter meu coração despedaçado, mas eu vou ter forças para continuar, a vida pode ser boa mesmo estando sozinho eu sei disso. Minha felicidade não pode depender de um namoro ou casamento, mas sim de como eu vejo a vida e de como eu a torno bela de acordo com a minha realidade.
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Então…como esses cavalos que correm eu quero sentir o ar fresco no meu rosto, correr com muita força, ser dono de mim e estar no controle, no controle da minha vida e do meu coração. Se você ( o cara ) é capaz de aceitar como eu sou e me deixar livre para seguir, então convido a você a correr comigo, aqui do meu lado. Mesmo se você parar eu prometo que ainda vou correr.

Feliz dia dos namorados!

Decisões ruins

São Paulo pode ser acolhedora para alguns e ao mesmo tempo ela pode ser fria e chuvosa para outros. Mas uma coisa é certa, se tornar um cara gay bem-sucedido e dentro de um relacionamento estável simultaneamente, aos 30 anos, em uma cidade como esta, jamais será um acontecimento democrático.

Eu, aos 29 anos, não tenho o emprego que eu gostaria, estou atualmente desempregado, mas fui operador de telemarketing atendendo clientes que viajam para o exterior, eles faziam o que eu gostaria de fazer, isto é: viajar o mundo. Sou formado em jornalismo, falo inglês e espanhol, sou jovem, mas me sinto velho e por vezes não ganho o suficiente para pagar o meu aluguel e comer ao mesmo tempo. Tudo que eu quero é transformar alguma coisa ao meu redor e não simplesmente envelhecer em São Paulo.

Qual relógio estamos seguindo? (Imagem da Internet)
Qual relógio estamos seguindo? (Imagem da Internet)

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Selva de homens

São Paulo pode ser descrita de diversas maneiras. Mas eu prefiro descrevê-la como uma selva de homens. O que a torna um habitat perigoso quando se trata de relacionamentos.
Há algumas espécies bem comuns nesse ambiente de concreto. Assim como os caras que frequentam a sua casa, comem da sua comida, dormem na sua cama durante algumas semanas e depois deixam de responder suas ligações ou mensagens. Justo quando você começa a acreditar que as coisas estão se encaixando apesar das imperfeições. E quando você insiste em marcar um encontro, eles têm sempre um imprevisto para adiar. Da última vez que eu me encontrei com um cara assim, que vou traduzir como “O Pássaro”, eu terminei numa calçada chorando sem entender a razão pela qual alguns caras preferem estragar tudo. Num dia você abre seu coração e oferece a sua amizade e no outro o cara voa para algum lugar bem distante. Definitivamente, essa espécie se sente em perigo diante de qualquer ameaça de afeto.
(Imagem: BRIAN BIEDUL)
(Imagem: BRIAN BIEDUL)

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Oq vc busca?

Essa pergunta sobre o que eu estou buscando, sempre me deixou desconcertado. Porque a resposta dela é, em muitos casos, definitiva a respeito de qualquer possibilidade que eu possa ter com o cara que está sentado à minha frente em algum café em São Paulo ou até mesmo com o cara que está teclando comigo. Essa interrogação é cheia de tensão e não tem nada de tesão. Mesmo que seja difícil responder algo sobre essa pergunta, ela surge assim de repente. Porque as pessoas precisam saber sobre onde elas estão prestes a depositarem o melhor delas ou, em alguns casos, terem certeza se a transa vai valer a pena. Isto é, trata-se de um modo de conhecer as vantagens, desvantagens, as garantias, custos e benefícios de estar ali tomando café com aquele sujeito ou gastando algumas horas no celular em algum aplicativo qualquer.

Em algum café da Augusta. (Foto: Tudo Sobre Eles)
Café na Augusta. (Foto: Tudo Sobre Eles)

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Masculino e Feminino

“A gente nunca tá fora do nosso meio social, eu sou mais um jovem confuso, mais um jovem acomodado, ignorante, apático, assim como você.”

Meu entrevistado é uma das drags que participou do programa Academia de Drags (2014), atração inspirada no programa americano RuPaul’s Drag Race (2009). Ele, ao longo dos anos, teve diversas referências, uma delas é a drag ícone cultural, RuPaul. Atualmente, meu convidado vive o novo boom das drags em São Paulo. Não é muito difícil encontrar oficinas sobre esse universo pela cidade, o conteúdo programático inclui ensinar como se maquiar, dançar e selecionar vestuário. São verdadeiras academias que ganharam as páginas dos jornais, a TV e os canais do YouTube.

“A gente nunca tá fora do nosso meio social, eu sou mais um jovem confuso, mais um jovem acomodado, ignorante, apático, assim como você.” (Foto: Yasmin Sandrini/ Beatriz Zago)
“A gente nunca tá fora do nosso meio social, eu sou mais um jovem confuso, mais um jovem acomodado, ignorante, apático, assim como você.” (Foto: Yasmin Sandrini).

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No sofá da Biá

“As pessoas iam para ver o show, pela curiosidade de saber o que era e como era um homem vestido de mulher.”

Ele diz que sempre foi gay desde criança, assume que sempre teve instinto homossexual. Ele confessa que tinha tesão pelo gerente do lugar, achava o sujeito uma graça e investia em tentativas para se aproximar dele. O primeiro rapaz que ele conheceu estava em um cinema do bairro do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Certa vez, em uma de suas idas ao cinema, a luz acabou. Ele permaneceu em sua poltrona, as luzes voltaram a acender, ele olha para trás e percebe um homem que lhe chama à atenção. “Credo, que homem feio!” – Foi seu primeiro pensamento ao olhar para pessoa que estava no mesmo recinto. “Tem coisas que são interessantes, você olhar para trás, numa multidão e a pessoa te chamar à atenção por ser feio.” – ele comenta.

“Tem coisas que são interessantes, você olhar para trás, numa multidão e a pessoa te chamar à atenção por ser feio.” (Foto: Acacio Brindo/ Eduardo Moraes)
“Tem coisas que são interessantes, você olhar para trás, numa multidão e a pessoa te chamar à atenção por ser feio.” (Foto: Acacio Brindo/ Eduardo Moraes)

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