Hey Mr. DJ…

“Antes da noite as bichas ficavam escondidas.”

(Foto: reprodução da internet)

Hoje em 31 de Agosto de 2018, faleceu o DJ Mauro Borges, aos 56 anos. Acompanhe um dos últimos registros do DJ. Talvez sua última grande entrevista, em seus últimos anos de vida.


Depois de uma longa conversa pelo Facebook e uma espera de alguns meses, além de um furo no primeiro encontro, por parte dele, finalmente nos encontramos. O local combinado foi a lanchonete Estadão, um dos lugares mais famosos e tradicionais da cidade de São Paulo. 

De repente, ele chega com uma aparência de estar ansioso e suando. Está bebendo água em uma garrafa comum de água mineral. Ele me faz um sinal pela janela da lanchonete e pede que eu saia. Eu pago meu café e saio para cumprimentá-lo. Ele sorri e me abraça. Pede para irmos à pracinha ao lado da biblioteca Mario de Andrade, na Rua da Consolação. Para “encontrar um lugar bucólico”, como ele mesmo diz.

Mauro Borges é um homem alto, está de camiseta regata branca, aquelas do tipo que usamos para ir à academia. Usa calça esportiva, tênnis e um boné. Naquela tarde, eu estava prestes a entrevistar um dos personagens mais importantes da noite paulistana. Ele, como DJ, tem 28 anos de carreira, participou e administrou os principais clubes mix da cidade de São Paulo na década de 80 e 90. Como o Nation, nos anos 80, o Massivo, nos anos 90, e depois o Disco Fever que se torna uma festa itinerante nas décadas seguintes. Foram casas que construíram o cenário paulistano de festas, comportamento e até linguajar entre o público gay e os frequentadores em geral da noite na cidade.

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O 3 Na Frente

(Foto: reprodução da internet)

Adeus aos 20 anos.

Deixar a casa dos 20 pareceu assustador, porque durante dez anos eu sempre tive o 2 na frente e isso parecia me dar a segurança de que eu ainda tinha tempo para fazer tudo que eu queria fazer. E agora, para minha surpresa, eu ainda tenho tempo.

Ao longo do caminho, eu entendi que nada pode ser tão extraordinário do que a simplicidade de estar presente de corpo e alma em cada momento importante da sua vida. E esses momentos são um abraço de quem você ama, um café da tarde com a sua família, uma conversa profunda com o seu melhor amigo ou um simples sorvete que alivia uma noite de calor. Coisas banais para alguns, pois, algumas vezes, consideramos a felicidade algo inalcançável.

Mas bem-vindo seja os 30 anos, até aqui nessa jornada eu descobri o quanto eu sou interessante, me dei conta do quanto eu me interesso pelo universo das outras pessoas e no quanto eu sou bom em escrever sobre elas, como escritor. Eu sou um homem cheio de planos e tenho plena certeza que a fonte da juventude consiste nos sonhos, na vontade de viver a vida, nas ações, na ousadia de quebrar paradigmas, na coragem de enfrentar o medo e na fuga de rotinas.

Algumas dicas do caminho: você nunca é tão velho, feio ou ruim como as pessoas querem te fazer acreditar. Viaje sozinho, não tenha medo de conhecer novas pessoas, não deixe de ir em lugares só porque te alertaram que eram perigosos, se fosse assim eu nunca teria andado de metrô no México.

Reconheça suas habilidades e não deixe que te digam que isso é arrogância. E acima de qualquer coisa, nunca siga conselhos, nem mesmo estes! Faça sua própria história.

#30anos

São Paulo, 23 de Setembro de 2017

Uma drag com glamour

"eu já tinha brincado de me montar de mulher, desde os 12 anos de idade eu brincava no carnaval." (Foto: Ida Feldman )

Kaká Di Polly é uma lenda viva das noites de festa glamorosas na cidade. Uma drag irreverente, de tal maneira, que talvez a noite gay, dos anos 1980, não tivesse as mesmas histórias. São memórias que mesmo depois de tanto tempo ainda valem a pena de serem ouvidas ou lidas, e assim elas mantêm os personagens que aqui existem, nesse planeta chamado São Paulo.

Nossa entrevista foi em uma noite de sábado, no centro da cidade, foi em um lugar chamado Dick Bar, um nome sugestivo. Na porta, há um rapaz de aparência de vinte e poucos anos, usando apenas uma sunga branca e com um pouco de purpurina pelo corpo, ele era quem acertava a entrada do bar de garotos strippers.

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