Sexo dentro do armário

Ser assumido ou não é sempre problema. Quando entrei na faculdade, eu não sabia como reagir diante da pergunta: “você é gay?”, preferi responder: “não.”. Claro que era algo inegável. Sempre possuí uma aura homossexual. Não tinha jeito.

Certa vez, meus amigos Alisson e Selena me levaram à famosa Rua do Bar Du Bocage, na Alameda Itu, esquina com Rebouças, próxima à Avenida Paulista. O local, um reduto dos gays da cidade, em geral meninos e meninas gays em torno de 16 anos, ou quem sabe menos, a fim de uma paquera e iniciação. Mesmo estando lá e observando vários caras que também estavam na famosa rua, não tive coragem de contar que eu era gay. Ficamos os três conversando a noite toda. Eu estava assustado com a ideia de me tornar assumido. Odiava ouvir perguntas em voz alta e em público sobre minha sexualidade.

Foto: Estúdio Pingado
Foto: Estúdio Pingado

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Os belos e as feras

Era uma vez, uma linda princesa que para salvar o pai de uma dívida precisou partir de sua casa e viver em um castelo junto a uma besta. Com o passar do tempo ela pôde perceber que o monstro não parecia tão feio assim. Ele tinha bons sentimentos, soube ser gentil e conquistá-la. 

No final deste conto de fadas, a garota branca e de corpo escultural beija a fera. A grande surpresa é que o animal estava enfeitiçado e somente um beijo de amor poderia trazê-lo a sua forma real. A sua verdadeira aparência revelava um cara bem tesudo. Os dois, Bela e Fera, viveram felizes para sempre. Fim.

 “- Eu admiro essa história. Acredito que ela fala sobre a descoberta de algo além da aparência.”

Foi exatamente esse discurso que eu fiz para a minha amiga durante o terceiro ano do colégio.

Ela sorriu e disse:

“- Mas veja por esse ângulo Adriano, no final ele fica bonito. No final, ele sempre será o príncipe.”

Será que mesmo sendo um cara legal, mas com aparência de fera, o que importa mesmo é ser um belo?

O Belo e a Fera (Foto: Imagem internet).
O Belo e a Fera (Foto: Imagem internet).

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Os fantasmas da cidade

Levei um fora do cara que eu mais gostava. A quem cheguei a falar: “eu te amo”. Passei esse tempo me perguntando um monte de coisas: “O que tenho de errado?”, “Sou feio demais para o Adriano?”, “Sou infantil?”, “Não sou bom de cama?”, “Sou egoísta e dramático?”. Posso considerar também que ele ainda não era o cara certo. Definitivamente, não sei.

Apenas chorei muito. Comi doces em excesso. Perdi a vontade de trabalhar e estudar para as provas da faculdade. Nada me animava.

A verdade é que os fantasmas da cidade ainda me incomodavam muito, assim como o fantasma do metrô Ana Rosa, onde eu o vi pela primeira vez.
Quase todos os dias eu parava na estação e ficava olhando o semáforo.

O café, da Rua Cubatão, na Vila Mariana, que foi cenário do nosso primeiro encontro também aparece como um fantasma. No centro da cidade fica o bar onde bebi com ele e conversamos.

Todos esse fantasmas estavam atrás de mim.

Estação Ana Rosa inaugurada em 12 de setembro de 1992 (Foto: Sleepychaos).
Estação Ana Rosa inaugurada em 12 de setembro de 1992 (Foto: Sleepychaos).

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Levando um fora no templo budista

Passei uma semana trabalhando em Porto de Galinhas, fiquei em ótimos hotéis e fiz vários passeios. Eu estava gravando um programa de viagens. Apesar do trabalho, eu relaxei bastante. Até demais eu diria. Aproveitei enquanto um dos rapazes da produção saía para tomar café e fui me masturbar no banheiro. De súbito, a porta se abriu e eu de olhos fechados apenas ouvi: “Desculpe!”. O cara, que trabalhava e dormia comigo no mesmo quarto, havia voltado para buscar alguma coisa e me viu ali nu e com a mão no pau. Continue Lendo “Levando um fora no templo budista”

O teste

Três meses se passaram desde a última vez que eu e o Adriano nos vimos. Era sempre assim, três meses de intervalo. Nesse tempo, aproveitei para fazer meu teste de HIV. Fui até o local na estação de metrô Santa Cruz e o fiz.

O lugar estava cheio de pacientes na fila da medicação, alguns eram atraentes, aliás, a Aids tem várias faces. Depois de fazer a coleta de sangue, eu aguardava meu resultado. Enquanto isso, li um folheto sobre um grupo de apoio para infectados, um meio para eles conversarem sobre o problema e contarem suas experiências. Após alguns minutos de espera, fui chamado pela enfermeira. Entrei nervoso.

Foto: DreamsTime
Foto: DreamsTime

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O monge, o garoto e a camisinha

Depois de três ou quatro meses, após o segundo encontro, finalmente houve um terceiro. Durante uma boa caçada por sexo pela internet, eis que surge a janela piscando com uma nova mensagem no MSN. Era ele, o Adriano. Fiquei na dúvida entre responder ou não. Afinal, eu o havia procurado por muitas vezes e nada dele responder, mas teclei.

Adriano e eu conversamos um pouco e contei sobre o novo cara com quem eu estava saindo, um professor de espanhol. Sim, era verdade, não estava apenas inventando para fazer jogos de sedução. Ele disse para eu deixa-lo e continuar com o tal professor. Respondi que certas coisas não são tão fáceis de resolver quando você está apaixonado. Ele apenas teclou: “quer jantar comigo?”.

O kit (Foto: Tudo Sobre Eles).
O kit (Foto: Tudo Sobre Eles).

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