Um Brasil doente

A notícia de um homem, intitulado de juiz, chamado Waldemar Cláudio de Carvalho que concedeu uma liminar para autorizar psicólogos (interessados) a oferecerem terapia de “reversão sexual” popularmente dita como “cura gay”, tomou conta do país através das redes sociais e de diversos outros meios de comunicação. Foi o ponto ápice para entender que o Brasil está doente. E essa doença não tem nada a ver com homossexualidade.

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A imagem acima está sendo reproduzida nas redes sociais. Foto: Reprodução.

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17 de Maio – Dia Internacional Contra a Homofobia.

A data de 17 de Maio de 1990 foi escolhida como simbólica a respeito do avanço dos direitos LGBTQ. Nesta data a homossexualidade foi descaracterizada como patologia pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
 
Porém, o preconceito e a discriminação para com a comunidade LGBT ainda continua. Muitos morrem no Brasil por crimes de ódio, países africanos ainda consideram um crime a homossexualidade, penalizado com a morte do indivíduo, a Rússia cada vez mais oprime e cria uma ditadura para a comunidade homossexual.
 
Ainda temos um longo caminho, mas nada poderá ser mais forte do que o amor ao próximo, porque a cada dificuldade, mais ganhamos força para um dia alcançarmos uma sociedade mais igualitária.
 
O mais importante no momento é conservar o orgulho e autoestima a respeito de quem somos, humanos iguais a todos!
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Travesti Dandara assassinada a tiros e pauladas no Ceará em 15 de Fevereiro de 2017. O motivo? Apenas ódio. 

Todos Somos Capazes

Numa cidade como São Paulo, muitas coisas acontecem ao mesmo tempo, encontros, despedidas, novas amizades. E LGBT’S com deficiência que se reúnem em um parque para falar de temas importantes como preconceito, discriminação e estado laico.  Claro que resistir ao charme do parque do Ibirapuera é algo impossível de acontecer. Então, nada melhor que combinar militância com comida, amigos e festa.

Foi exatamente isso que aconteceu no último domingo, esses jovens e adultos que antes estavam apenas atrás de computadores tentando encontrar pessoas que entendessem um pouco de sua realidade, agora estavam reunidos mostrando que não é uma calçada esburacada, ou transportes sem acessibilidade e até mesmo a distância que irá impedi-los de mudar a sua própria realidade e consequentemente o mundo ao seu redor.

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Imagem: http://www.gataderodas.com/

Esse foi o primeiro piquenique, mas o mais interessante de tudo isso é imaginar que a partir disso, um longo caminho pode ser construído com uma ação contínua. A história de grandes movimentos revolucionários começou assim, como por exemplo o SOMOS ( Primeiro grupo de militância LGBT na década de 70 em São Paulo) que deu origem a tantos esforços e ações pela causa até os dias atuais.

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A vontade de mudar move e mesmo com a tecnologia, nada substitui o prazer dos encontros em algum lugar dessa cidade que mais parece um planeta imenso, onde tudo está acontecendo ao mesmo tempo.

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E a galera tem grupo no Facebook.

Morre o autor da Bandeira LGBT

Gilbert Baker foi um artista e ativista de direitos LGBT, responsável por criar o símbolo que representa  a comunidade, a bandeira do arco-íris “rainbow flag” que surgiu em 1978. Ele morreu enquanto dormia em sua casa em Nova York no último dia 31.

O significado das cores da Bandeira Gay. #tudosobreeles #LGBT

Rosa – Sexualidade

Vermelho – Vida

Laranja – Cicatrização

Amarelo – Luz do sol

Verde – Natureza

Turquesa – Arte

Azul Índigo – Harmonia

Violeta – Espírito humano


Por trás de paredes

“morar em São Paulo, onde os apartamentos são cada vez menores e mais próximos, é como ter seus vizinhos como ‘Deus’, pois eles veem tudo e sabem de tudo, mesmo sem querer.”

Em uma cidade grande o que separa as histórias de diferentes pessoas são apenas paredes, essas divisões finas que permitem sons e cheiros ultrapassarem nossas muralhas de individualismo e façam parte do nosso cotidiano. Em São Paulo é preciso pensar duas vezes no que se diz em voz alta dentro do seu apartamento.

Morando sozinho em meu minúsculo quarto alugado, eu já pude testemunhar várias histórias. E uma importante metáfora a respeito do que estou falando é sobre uma ex-vizinha, uma garota filha de pais evangélicos que gostava de ouvir músicas sempre quando estava sozinha em casa, canções que não eram exatamente os hinos da igreja. Certa vez, eu ouvi o pai dela a repreendendo, não sei se era exatamente por esse motivo, mas ele dizia: “Cuidado, Deus vê tudo, não importa onde você esteja”. E morar em São Paulo, onde os apartamentos são cada vez menores e mais próximos, é como ter seus vizinhos como “Deus”, pois eles veem tudo e sabem de tudo, mesmo sem querer.

Edifício Copan – Centro de São Paulo, um cartão postal da cidade.

Frequentemente, quando estou deitado tarde da noite fazendo café ou escrevendo meus textos é comum ouvir sons e conversas, é como testemunhar vidas acontecendo. Uma simples ida à lavanderia é o suficiente para encontrar rastros de quem são as pessoas com quem você cruza todos os dias na portaria, mas não sabe nada sobre elas. E foi estendendo minhas roupas no varal que eu me deparei com peças de roupa feminina, mas não havia nenhuma garota morando em um dos poucos quartos do lugar. Dias depois, a pessoa que havia alugado o quarto dos fundos fez um churrasco e trouxe alguns amigos e de madrugada eles estavam conversando, então ela confessou aos convidados que finalmente agora todas as suas roupas eram femininas. Era uma mulher trans a nova moradora. E do quarto dos fundos ela passou a alugar e morar no quarto que ficava em cima do meu.  Numa noite qualquer, eu a ouvi consolando alguém por telefone a quem ela chamava de “amiga” que havia descoberto recentemente ser HIV positivo, ela dizia: “chora tudo que tiver para chorar”.

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A voz da Juventude na Parada LGBT

No último sábado, 11, houve o encontro com os organizadores da 21ª Parada LGBT de São Paulo. Aberto ao público, na sede da União Geral dos Trabalhadores, o debate colocou em pauta a representação de diversas camadas sociais e culturais que devem ganhar destaque durante o evento. A reunião contou com uma sala bem cheia, cafezinho e discussões bem fortes.

Estavam presentes os coletivos das transsexuais, os representantes de grupos de homens gays e bissexuais, o coletivo das mães pela diversidade, movimento das mulheres lésbicas, dentre outros movimentos que tocaram em temas como religião, discriminação dentro e fora da comunidade LGBT, além de discutir como o tema da Parada, neste ano a mensagem é sobre “estado laico”,  será abordado e de que maneira sugerir o debate de forma que não agrida outros grupos, mas ao mesmo tempo revele a intenção de luta por uma sociedade mais igualitária com respeito ao próximo.

O grupo de Jovens, de 18 a 29 anos, esteve no encontro para apresentar propostas que mostrassem as ações que o público jovem se preocupa em repassar para as novas gerações de gays, lésbicas e transsexuais. Uma das ações sugeridas pelo coletivo é a campanha a respeito da contaminação pelo vírus HIV, dados oficiais do Ministério da Saúde apontam que homens gays, entre 15 a 24 anos, representam o extrato mais vulnerável em relação ao crescimento do número de novas infecções pelo vírus através de relação sexual.

Outras pautas sugeridas pelo grupo da juventude são a campanha por representação de deficientes físicos LGBT, transsexuais que precisam lidar com estas questões precocemente dentro da própria casa, além das questões sociais como a visibilidade de gays, lésbicas, bissexuais, dentre outras identidades que moram nas periferias de São Paulo e precisam ter alcance das informações e ações que estão sendo tomadas para com a comunidade.

O coletivo da juventude chamou à atenção dos mais velhos que estão vendo suas discussões com relação a cidadania sendo repassadas e discutidas cada vez mais cedo.

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GT da Juventude
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Símbolo do grupo de representação juvenil na Parada LGBT de São Paulo