ENTREVISTA: JAMES GREEN | BIOGRAFIA HERBERT DANIEL

“É muito importante especialmente para a comunidade LGBT de ter referências de pessoas que enfrentaram essa direita” – James Green

Entrevista James Green | Melhores Momentos [2018]

Nesta entrevista, concedida em 2018, James Green conta o processo de construção do livro que trata-se da biografia de Herbert Daniel intitulado de “Revolucionário e gay: a extraordinária vida de Herbert Daniel – pioneiro na luta pela democracia, diversidade e inclusão”.

Como o próprio nome do livro revela, o tema é sobre um dos pioneiros na revolução armada, na luta contra a ditadura. E mais, Herbert Daniel foi precursor no movimento por direitos LGBT+ e pessoas que convivem com HIV e Aids.

Através de suas próprias experiências com sua homossexualidade, Herbert questiona as ideias do movimento revolucionário, abrindo espaço posteriormente para uma discussão maior, acerca da relação do movimento esquerdista e LGBT+ em sua origem.

O autor James Green é historiador americano, brasilianista e professor de história e cultura brasileira na Universidade de Brown em Nova Iorque. 

Além da biografia de Herbert Daniel, James Green já escreveu diversos outros livros sobre história LGBT+ no Brasil, todos disponíveis em português.

A seguir, você acompanha o vídeo do Canal Tudo Sobre Eles no YouTube com os melhores momentos da entrevista com James Green, em 2018, quando ele veio ao Brasil divulgar o livro biográfico.

Agradecimento ao espaço de utilização livre do CPF – SESC (Centro de Pesquisa e Formação).

Agora, você também pode ouvir apenas o áudio entrevistas ou o áudio dos vídeos do canal no seu aplicativo de podcast. 

O Tudo Sobre Eles está presente nas principais plataforma de Podcast como: Spotify, Deezer, Google Podcasts e CastBox.

Ouça o podcast completo no seu aplicativo de podcasts

Spotify: https://spoti.fi/2Dz0Ml0

Deezer: https://www.deezer.com/en/show/1571072

Google Podcasts: https://bit.ly/3gzLFqk

iTunes Podcasts: https://apple.co/2Xuizkr

CastBox: https://castbox.fm/channel/id2806712?country=br

FOTOS DO ENCONTRO COM O HISTORIADOR  (Imagens: Tudo Sobre Eles)

James Green: “Infelizmente existem muitos gays acreditam que Bolsonaro é uma solução.”
Durante a entrevista James Green declarou que “Infelizmente existem muitos gays que acreditam que Bolsonaro é uma solução.”
James Green: “É muito importante especialmente para a comunidade LGBT de ter referências de pessoas que enfrentaram essa direita"
James Green: “É muito importante especialmente para a comunidade LGBT de ter referências de pessoas que enfrentaram essa direita”
Uma honra tê-lo como entrevistado novamente.
Uma honra tê-lo como entrevistado novamente.

Entrevista concedida em 17/08/2018

Comunicação Democrática: o desafio do Ministério da Saúde

O Departamento de Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde convocou uma galera engajada no ativismo social (com foco em gays e homens que fazem sexo com homens) e alguns deles usuários de PrEP, de idade, localidade, perfis sociais variados e diferentes etnias, no último dia 16 em Brasília, para falar sobre a profilaxia pré-exposição, ou, simplesmente truvada.

O tema trata da nova ferramenta para prevenir novas infecções por HIV que segue crescente, principalmente, entre os mais jovens, segundo dados expostos no próprio evento.

A PrEP nada mais é que o uso contínuo do medicamento truvada que impede, com 96% de eficácia, que o paciente ao entrar em contato com o HIV, não seja infectado.

Não foi só a apresentação de dados científicos sobre a PrEP que foi colocada em discussão, mas também outras medidas de prevenção que podem ser praticadas em conjunto.

O objetivo é informar sobre a prevenção combinada que consiste em oferecer ao indivíduo opções variadas de diferentes métodos preventivos que respeitem sua livre escolha e individualidade, seja por meio do uso da PrEP, preservativo ou a combinação dos dois.

A reunião incluiu diversos membros da militância LGBTQI+, dentre eles Diego Callisto organizador do evento (1º à esquerda no chão) e o médico Rico Vasconcelos (3º à esquerda em pé)  que é referência em pesquisas sobre PrEP e PEP. (Foto: divulgação).

Continue reading “Comunicação Democrática: o desafio do Ministério da Saúde”

O essencial sobre PrEP

“Sexo seguro é um sinal de percepção”

PrEP (Imagem: banco de imagens).

PrEP:

O que é? 

Tem efeitos colaterais?

É a pílula do dia seguinte do homem?

Agora, eu posso transar sem camisinha sempre, sem risco de ists?

São muitos os questionamentos a respeito da PrEP, mas também são vários os comentários sem embasamento teórico que surgem e que vão se tornando lendas (leia-se boatos/mentiras) sobre o tema. E isso prejudica muito as campanhas de prevenção.

A implementação da PrEP no SUS veio para evitar novos casos de contaminação pelo HIV sobretudo nas populações mais vulneráveis.

Vamos ao questionário!

O que é PrEP?

Continue reading “O essencial sobre PrEP”

Um homem de 30 e poucos anos…

As descobertas, desafios e a forma de lidar com o tempo.

Eu sou uma pessoa muito mais feliz aos 34 do que aos 24. E aos 24 eu era muito mais feliz do que aos 14. “ (Foto: Facebook).

30 de Junho de 2017. Brás, São Paulo.

Preciso estar às 11 da manhã em ponto no apartamento dele. Marcamos uma entrevista curta depois de várias tentativas de encaixar os meus horários com os dele.

Ele abre a porta e me recebe com um sorriso e um abraço. A TV estava ligada e passava uma reprise da novela “Por Amor”. Ele me serve água e eu retiro o meu aparelho de gravação. E, como a maioria dos entrevistados, Matheus fica admirado com o minúsculo MP4 da Philips, um modelo simples dessa tecnologia, considerada ultrapassada, que me serve muito desde 2009. Matheus Faro tem 34 anos e trabalha como produtor e diretor de filmagens de externas para TV. Mas antes ele trabalhou em diversos lugares, como loja de roupas,  foi garçom e fazia pães em uma fábrica durante o tempo em que morou na Austrália. Entretanto, ele sentia falta de algo que lhe estimulasse a criatividade. E acordar às seis da manhã, para fazer pão, não fazia a vida ter sentido para ele.

Matheus é parte das entrevistas que estou realizando para um projeto de livro, nele eu tenho a intenção de falar sobre homens de 30 e poucos anos, relacionar suas vidas: afetiva, sexual e profissional. Tudo em torno de uma das protagonistas da história: São Paulo.

Continue reading “Um homem de 30 e poucos anos…”

Investimento na bolsa de RelAÇÕES

“Qualquer relação precisa de um tempo, de uma dedicação, de um investimento financeiro, porque tá todo mundo tão distante”

(Imagem: teaser de divulgação do curta que integra o projeto Uma Vida Positiva.)

Ele se chama Rafael Bolacha.  “Bolacha” é um apelido de família, que se refere ao irmão do meio dele. O pai achava que o filho do meio tinha cara de bolacha. E na escola, Rafael era conhecido como o irmão do “bolachinha”. Desde então, o apelido que era do irmão, passou a ser dele também. E daí ficou um apelido que se tornou quase a sua assinatura.

Rafael é uma das personalidades da internet que ganhou grande visibilidade compartilhando suas histórias pessoais, com o intuito de encontrar outras pessoas para falar sobre seus problemas, angústias e características em comum. Ele é uma amostra desse universo paralelo que interliga pessoas em tempo real. Rafael Bolacha escreveu seu primeiro livro intitulado como “Uma vida positiva” em 2012, o projeto foi uma extensão de seu blog homônimo iniciado dois anos antes (ele usou o pseudônimo de Luan) para relatar seu cotidiano como soropositivo e discutir questões ligadas ao HIV/Aids.

Rafael promovendo seu livro “Uma vida positiva”. (Foto: divulgação).

Em abril de 2017,  nós nos vimos pessoalmente no Centro Cultural Vergueiro, próximo à Avenida Paulista. Eu o havia convidado para uma entrevista, pois acreditei que ele poderia me oferecer uma ótima conversa a respeito da minha investigação do tema “Oq vc busca?”.

Continue reading “Investimento na bolsa de RelAÇÕES”

Verdades inconvenientes

“O que eu acabei até aprendendo também, que não necessariamente onde há amor, há fidelidade. Tenho aprendido isso na pele. Você pode amar muito uma pessoa, mas o seu desejo de estar com outro, de beijar outro é tão forte, que aquele amor não te prende a isso, a somente uma pessoa. E eu acabei me tornando vítima disso também.”

(Foto: Tudo Sobre Eles / Adriano Sod)

Estou na Livraria Cultura no Conjunto Nacional, esperando meu entrevistado que prometeu me encontrar às 11 da manhã. A Cultura na Rua da Consolação, definitivamente, é um dos melhores lugares para combinar um encontro na cidade. Um local agradável para ler livros inteiros e nem sequer comprá-los.

Meu entrevistado e eu nos conhecemos pelo Facebook e acabamos levando a amizade virtual para o real. Embora nos falemos com pouca frequência, nossos encontros são sempre regados de bom humor, risos, bastante ironia e sarcasmo, o que torna qualquer conversa interessante.

Do piso dos cds e dvds da livraria ele me reconhece e faz um sinal, eu, no andar de baixo, sinalizo que vou ao seu encontro. Subo as escadas e nós nos cumprimentamos, eu sugiro que entremos na sala de discos e dvds. Encontramos um cantinho agradável e nos sentamos no chão mesmo.

*Pedro Sales, 30 anos, mora no Grajaú, na zona sul de São Paulo e trabalha como assistente comercial na Editora Abril. Sua estatura é de um rapaz baixo e ainda que ele faça diversas dietas e pratique exercícios físicos sua silhueta é mais rechonchuda.

Nosso encontro se refere a minha investigação sobre as diferentes perspectivas de relações entre homens gays na cidade de São Paulo. Uma análise a respeito de relacionamentos que passam pela paixão intensa, o romance e que depois podem enfrentar a dúvida, a infidelidade e a quebra de paradigmas.

– Como foi seu namoro? Como foi a conquista? Como vocês se conheceram?

Ele expira e se prepara para revirar sua memória.

*Pedro conta como foi antes de conhecer seu atual namorado.

– Foi turbulento. Eu tava no segundo namoro, estávamos há três meses, eu tava, tipo, “amarradão” e aí descobri que ele estava me traindo. Como sempre. Daí a melhor amiga do cara falou: “ele tá te traindo”. E eu fiquei puto da vida. Foi na véspera do dia das mães em 2006. Eu meio que num momento de vingança: “hoje eu vou pra balada, vou beijar, vou ficar e amanhã eu termino com ele”. Eu queria ter o gosto de também me sentir o traidor. E fui pra balada. Inclusive, a mesma que eu o conheci. E lá estava o meu atual, tava pegando outros carinhas. E aí eu gostei, achei bonito, só que eu sou muito tímido pra chegar junto. Aí eu pedi pra um amigo: “vai naquele ali e fala que eu tô a fim dele”, o amigo  se aproxima do pretendente de *Pedro e transmite a mensagem. “E como ele tava pegando outros carinhas, pediu pra eu ir para o banheiro. Saí do salão principal, ele veio com um copo de bebida na mão, eu não gosto de beber, já não gostei muito. Aí a gente começou a se beijar e a gente ficou.”

*Pedro continua: “Eu tava mais querendo curar uma dor de amor, eu não tava a fim de me apaixonar e tudo mais. E aí ele se apaixonou muito fácil. Pra mim, foi um pouco difícil aceitar esse namoro. Por uma série de questões dele mesmo, eu já tava muito machucado. Então acabou sendo uma cura de um amor que machucou. Sabe? Eu acabei entrando nessa, mais por isso. Para curar a dor. E estamos juntos há nove anos.”

– Nove anos depois dessa noite. – eu repito.

– Ã-hã, é.

Rimos maliciosamente.

– E ao longo do caminho o que você tem aprendido sobre o namoro? E o que você ensinou também?

– O que eu mais tentei ensinar, sem sucesso, foi a fidelidade. Porque eu já vinha de dois relacionamentos que eu também fui traído. Duraram três meses cada, um era bissexual, ficava com homens e mulheres, a gente se via a cada 15 dias. Ele me traía muito, ele tava na faculdade, saía muito e eu não imaginava. A gente não tinha as redes sociais como são hoje. A comunicação era mais complicada, era mais telefone mesmo, torpedo. Então, ele me traía muito. Com o segundo, também, foi a mesma coisa. Mais ou menos três meses de namoro, também era muito pegador, muito paquerador, me traía horrores. Quando eu descobri, eu terminei. Com o terceiro (chamado *Igor) e atual, tentei pregar a importância da fidelidade. Só que ela não se deu. Tipo, com um ano de namoro, ele me traiu. Só que nesse caso, foi diferente. Nos outros foram três meses, digamos era uma ficada que tava durando três meses. Com ele, já era mais de um ano. Então já rolava muito mais sentimento, já rolava de ir pra minha casa, eu ir pra casa dele. Famílias se tornando amigas. Então a coisa foi diferente.

Continue reading “Verdades inconvenientes”