Comunicação Democrática: o desafio do Ministério da Saúde

O Departamento de Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde convocou uma galera engajada no ativismo social (com foco em gays e homens que fazem sexo com homens) e alguns deles usuários de PrEP, de idade, localidade, perfis sociais variados e diferentes etnias, no último dia 16 em Brasília, para falar sobre a profilaxia pré-exposição, ou, simplesmente truvada. O tema trata da nova ferramenta para prevenir novas infecções por HIV que segue crescente, principalmente, entre os mais jovens, segundo dados expostos no próprio evento. A PrEP nada mais é que o uso contínuo de antiretroviral que impede, com 96% de eficácia, que o paciente ao entrar em contato com o HIV, não seja infectado.

Não foi só a apresentação de dados científicos sobre a PrEP que foi colocada em discussão, mas também outras medidas conjuntas que levam a tal prevenção combinada que consiste em oferecer ao indivíduo opções variadas de diferentes métodos preventivos que respeitem sua livre escolha e individualidade, seja por meio do uso da PrEP, preservativo ou a combinação dos dois.

A reunião incluiu diversos membros da militância LGBTQI+, dentre eles Diego Callisto organizador do evento (1º à esquerda no chão) e o médico Rico Vasconcelos (3º à esquerda em pé)  que é referência em pesquisas sobre PrEP e PEP. (Foto: divulgação).

O início do evento contou com uma palestra explicativa com riqueza de detalhes e informações sobre PrEP e prevenção combinada, ministrada pelo médico, do Serviço de Extensão ao Atendimento de Pacientes HIV/Aids da Faculdade de Medicina da USP (SEAP/FMUSP), Ricardo “Rico” Vasconcelos, referência no assunto. Mas o desafio do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais será levar a informação de prevenção combinada ao alvo que são as populações-chave (homens gays, homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo, travestis, transexuais, usuários de álcool e outras drogas, pessoas privadas de liberdade). Isto é, descentralizar esse tema do âmbito das populações de homens brancos, com nível superior, que em geral já moraram no exterior e estudaram algum idioma, como o inglês (isso amplia o acesso à informação), sujeitos que residem em regiões elitizadas economicamente nas grandes cidades e estão mais próximos dos centros de debates e tomadas de decisões acerca das políticas públicas. Segundo dados da palestra do médico Rico Vasconcelos, a informação sobre PrEP se encontra muito mais massificada em populações mais privilegiadas financeiramente.  Uma população que pouco dialoga, em vista da desigualdade social crescente no Brasil, com os cidadãos de pele negra, que vivem em regiões periféricas e que vêm ao centro da cidade, muitas vezes, somente para trabalhar, não são vistos como formadores de opinião senão como apenas doadores de votos para aprovar políticas que nem sempre vão privilegiá-los de alguma maneira, indivíduos sem acesso à informação ou com acesso, mas sem base educacional para refletir sobre essas ideias. Sendo assim, o Ministério da Saúde quer democratizar esse conhecimento de prevenção combinada (se valendo do tipo de linguagem desse público, fazendo intervenções nesses âmbitos sociais e ouvindo com empatia às necessidade dessas populações-chave) para incluir a todos nessa participação do direito à saúde.

Rico Vasconcelos apresentando dados sobre a implementação da PrEP (Foto: Blog Tudo Sobre Eles).

Os participantes do evento em Brasília, por representarem diferentes regiões do país, puderam relatar suas vivências a respeito da prevenção com a PrEP e sobretudo testemunharam sobre a realidade das campanhas de prevenção em cada localidade, as melhorias e as dificuldades a serem superadas pelos órgãos de saúde que dependem da estrutura e fomento das políticas públicas por parte dos governantes.

Momento de convergência de ideias. (Foto: Blog Tudo Sobre Eles).

O encontro não se resumiu em apenas debate de ideias, mas também em produção de materiais palpáveis para expor essas opiniões, os participantes se reuniram em grupos para sugerir projetos de comunicação democrática para as populações-chave, como por exemplo intervenções em meio a manifestações artísticas de rua promovidas pela prefeitura em bairros periféricos, ações de campanhas de conscientização em aplicativos de relacionamento que possibilitam filtrar um determinado público-alvo, tradução de materiais de prevenção para uma linguagem inclusiva, no sentido de comunicar isso, por exemplo, para cegos e surdos. Outra sugestão, incluia o uso de “memes” para ampliar de forma mais bem-humorada e viral as informações sobre prevenção combinada nas redes sociais.

Reunião de planejamento em grupo de ações para ampliar a comunicação a respeito de prevenção combinada. (Foro: divulgação).
Apresentação de propostas (Foto: Blog Tudo Sobre Eles).

O encerramento do encontro contou com mais um debate dos participantes que opinaram sobre as propostas uns dos outros e abriram novos pensamentos acerca de melhores práticas para alcançar esses objetivos. O que tornou rico e mais estreito o canal entre cidadãos e os gestores que estão a frente nessa missão do Ministério da Saúde que é a garantia dos direitos humanos da população no que diz respeito ao controle de ISTs, HIV/Aids e Hepatites virais.

Outras fotos do evento você confere no Instagram do blog: @blogtudosobreeles

Author: Adriano Sod

A cada dia, eu me permito descobrir um pouco mais de mim!

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